Contraste térmico e El Niño: especialistas explicam sequência de 9 ciclones no RS em 3 meses

Foto: Filipe Serena/Divulgação
Publicado por: Redação
Texto: Pedro Trindade e Janaína Lopes/g1 RS

De acordo com a Climatempo Meteorologia, chuva deve ficar acima da média histórica nos meses de outubro, novembro e dezembro. Outros eventos como cheias, inundações e transtornos devem ser esperados.

A frequência com que ciclones extratropicais têm se formado no Rio Grande do Sul ou em áreas próximas ao território gaúcho deixa em alerta a população do estado. Com o fenômeno registrado entre esta terça e a quarta-feira (27), já são nove ocorrências do tipo em três meses.

Nos meses de junho e agosto, o RS teve uma passagem de ciclone. Em julho, foram contabilizados três. Em setembro, já são quatro ocorrências. (Saiba mais abaixo)
“Normalmente acarretam um episódio de chuva e depois da passagem dele a gente fica com um ar frio na retaguarda. Esse ano a gente tá vendo uma recorrência muito maior, mais frequente desses eventos e com uma intensidade também mais acentuada”, diz Luciano Zasso, coordenador do curso de Geografia da Escola de Humanidades da PUCRS.

Relemre os ciclones dos últimos meses 

  • 15 e 16 de junho – se formou junto ao litoral do RS e de SC.
  • 8 de julho – se formou junto ao litoral do RS e de SC.
  • 12 e 13 de julho – se organizou sobre o RS.
  • 26 de julho – se formou, sobre o mar, no litoral do Uruguai, mas junto ao extremo sul do RS.
  • 18 de agosto – se formou, sobre o mar, no litoral do Uruguai e o litoral da província de Buenos Aires.
  • 4 de setembro – se formou, sobre o mar, no litoral do Uruguai e o sul do RS.
  • 13 de setembro – se formou perto do litoral do RS e de SC.
  • 8 de setembro – se formou sobre o mar, entre a costa do Uruguai e da província de Buenos Aires.
  • 26 e 27 de setembro – se formou na costa do Rio Grande do Sul.


Como se formam

Os ciclones extratropicais são formados pelo contraste de temperaturas das massas de ar quente e frio que se encontram no RS. O ar frio vem da Argentina e do Uruguai, e o ar quente e úmido é empurrado do alto do continente pelo El Niño.
“O contraste térmico entre o Sul do continente e a Região Central do Brasil, que vem enfrentando temperaturas elevadas, e a intensificação do El Niño justificam essas chuvas mais intensas e a formação de ciclones que se deslocam para alto-mar”, explica o meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Marcelo Schneider.

Previsão para primavera
O El Niño se caracteriza pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico. A Climatempo Meteorologia afirma que durante a primavera a tendência é que o fenômeno ganhe força. Com isso, mais ciclones podem se formar, ou outros sistemas de baixa pressão atmosférica, que podem provocar mais chuva sobre o RS.

“É preciso lembrar que a primavera é uma estação de eventos de chuva forte sobre o Sul, mesmo sem El Niño. Este fenômeno ainda vai ganhar força até o fim do ano. As mais recentes análises dos principais centros de monitoramento apontam um enfraquecimento apenas no outono de 2024”, diz a meteorologista da Climatempo Josélia Pegorim.

A chuva deve ficar acima da média histórica nos meses de outubro, novembro e dezembro. Segundo a Climatempo, com o grande volume de água que já caiu sobre o estado, outros eventos como cheias, inundações e transtornos devem ser esperados.

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